segunda-feira, 28 de março de 2011

Não sei se estamos no século XXI ou no XIX...

No fim-de-semana ouvi uma história que me deixou perplexa. Soube de uma rapariga com os seus 34 anos que namorava e estava a pensar casar. Em conversa com uma amiga comum, disse-lhe: “Então mas porque não pensava ir viver junto por uns tempos e depois logo decidia se queria mesmo casar!”, visto que o namoro nem tinha ainda um ano de duração.
A resposta que ouvi foi: “Pois, mas a mãe dela não aceitaria jamais uma coisa dessas.” E eu, parvinha de todo, com a boca aberta, disse: “mas não aceita como?!” e as declarações continuaram: “sim, eu já ouvi a mãe dela dizer, quando sair de casa dos pais é para casar. Não há fins-de-semana fora, nem nada dessas confianças.”
Vim para casa a pensar nisto. A abanar a cabeça incrédula. Ainda hoje penso nisto e fico doida. Acho que há coisas muito piores, como o descobrirem (tarde demais) que não têm compatibilidade nalgumas coisas, porque é na convivência a dois que isso se descobre. Namoro sem sexo, ou com a cumplicidade contada e controlada ali aos milésimos de segundo por olhares da família, comigo não resultaria. Porque a relação é feita a dois e precisa de momentos a sós. De uma partilha livre. Sem horas marcadas nem olhos controladores.
Custa-me a crer que em pleno século XXI ainda há pais a pensar desta forma. Que tipo de valores carregam? Será mais importante a felicidade de um filho ou aquilo que parece bem ou mal? Será que a evolução não existe para determinados assuntos?
Não estou a escrever este texto em tom de crítica, apenas me faz confusão, se me visse numa situação semelhante.
Sempre tive muita liberdade dada pelos meus pais. Sempre confiaram em mim, muito antes de namorar. Mesmo na adolescência, lembro-me com 13 anos de apanhar o autocarro com os amigos da minha rua, alguns mais velhinhos, e ir para as praias na Costa da Caparica e para a famosa Onda Parque. Nunca traí essa confiança, e muito menos traí a confiança em mim própria. Não fazia nada com o qual não me sentisse bem. Adorava a minha vida.
Acho que as pessoas para não contrariarem os pais, acabam por se anular a elas próprias. Deixam de viver. Continuam a ser as crianças num corpo adulto, que não pode sair de casa, apenas e só porque lhes apetece. Porque é feio aos olhos dos outros e principalmente porque parece que as aparências são muito mais importantes do que aquilo que realmente se sente.
Enfim...

6 comentários:

  1. É de facto uma forma de educar, agir muito fora do nosso Mundo, mas tirando isso já assisti a alguns namoros a acabarem depois do casamento, mesmo vivendo juntos. Há de tudo, tudo pode acontecer, porque somos humanos e temos carradas de defeitos.

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  3. Lacorrilha,

    Eu acho que chega a um momento da nossa vida em que temos também de educar os nossos pais. Mostrar-lhes que há outros caminhos, que não são certos nem errados. São os nossos. E que se confiarem em nós, tudo fica mais fácil. Porque apenas queremos ser felizes e isso é tudo quanto baste.

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  4. Eu tenho pais assim, talvez não tão radicais. Nunca me proibiram de sair, estar com os meus amigos, estar com o meu namorado,etc. Mas para eles viver juntos e não casar é algo que não aceitariam. Eu tento não ir contra os seus valores para não magoar, principalmente, a minha mãe e não me sinto "anulada" por isso. A verdade é que por viver fora da casa deles desde os meus 14 anos, tenho a facilidade de "esconder" o lado das coisas susceptivel de os masgoar.

    No fundo, o que quero dizer é que compreendo a posição dessa pessoa. Eu talvez não casasse tão cedo, mas tb não iria viver com ele.

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  5. Cara Julie,

    O que quero dizer é o segunte, és mais feliz por poderes esconderes coisas?
    Ou serias mais feliz se eles soubessem que podias partilhar toda a tua vida? Mesmo que não gostassem muito, ficavam contentes porque és feliz assim? Achas que é o "casamento" que vai mudar alguma coisa?
    O que importa é o quanto se amam e a cumplicidade que os une, vivendo juntos ou casando. Eu como nunca tive de andar escondida, é apenas isso que me faz confusão. Obrigada pelo teu comentário. Gostei do teu blog também.

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  6. "és mais feliz por poderes esconderes coisas?"
    Não é disso que se trata. O que eu queria dizer é que vejo as coisas por este lado talvez porque como vivo "fora deles" há muito tempo não sinto a necessidade de fazer valer a minha opinião. (talvez se vivessemos sempre na mesma casa tivesse outra opinião)
    Porque posso perfeitamente, deixar as coisas como estão sem ter que os magoar.

    No entanto, percebo a situação que descreves percebo o teu ponto de vista mas não sei se estivesse no lugar dessa rapariga se não faria o mesmo.
    De qualquer maneira não me casaria com uns meses de namoro.
    Ou seja, eu percebo a posição dela.´
    Há situações que só quem passa por elas as consegue compreender.

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