sexta-feira, 1 de maio de 2020

Quarentena e as descobertas

Umas das coisas a que me tenho dedicado é a culinária.
Quem me conhece sabe que a cozinha não é de todo o meu forte. No entanto, quando constituí família que remédio tive se não me agarrar aos tachos. No entanto, as minhas limitações, completamente conhecidas e assumidas por mim própria, que eu cá sei bem o que sou, não deixaram de existir. 
Sempre fui muito melhor a fazer bolos e sobremesas do que a confeccionar pratos. Faço bem duas ou três coisas e pronto. O fim de semana passado resolvi experimentar cozido à portuguesa. Claro que para quem domina a cozinha pensará que se faz com uma perna às costas, mas para mim foi uma conquista imensa e melhor ainda quando provei e senti que ficou delicioso. Sabia ao cozido da minha mãe!!! A minha mãe faz muito bem comer. É raro um prato seu não ser bom. Até aquelas coisas que eu não aprecio tanto passaram a ser espectaculares (então desde que vivemos longe, mais ainda!).

Outra receita que experimentei e ficou deliciosa foi arroz doce. Esta receita já vem da minha Avó Inês, passou para a minha mãe e agora para mim. Tem sido o meu escape. Aos fins de semana passo grande parte do tempo na cozinha a experimentar pratos e a ficar orgulhosa com o resultado dos mesmos! 
Nunca é tarde para nos descobrirmos e para iniciar tarefas pelas quais não tínhamos tanto apreço e aprendemos a gostar delas!







domingo, 29 de março de 2020

# Domingo - 29 de Março 2020

Fecho os olhos e vejo o mundo lá fora como sempre o conheci. Quando os abro percebo que afinal nada mudou. Este vírus maldito que se espalhou por todo o lado separou-nos a todos, se bem que apenas fisicamente, é certo. Mas não deixa de ser triste. Muito triste.
Há cerca de um mês estive com os meus pais. Parecia que adivinhava o que aí vinha. A Inês ficou uma semana com eles nas férias do Carnaval. Correu lindamente e já fazíamos planos para quando podia acontecer novamente. 
Estamos separados. Mais de 500 kms entre nós. É certo que não faltam os vídeos, as fotografias e as video-chamadas, mas não é a mesma coisa. No meio de tudo isto só tenho medo que esta separação seja para sempre. Não estou preparada para perdas e sofrimentos. Ainda hoje o meu irmão passou à minha porta, da janela falámos e disse-lhe adeus. Quando o vi seguir para sua casa senti uma tristeza imensa a invadir-me a alma. Vírus malvado. E responsabilizar quem criou tudo isto e tem sido o responsável no silêncio por tamanha barbárie? Sobre isso não se ouve uma única palavra. Passarão impunes como acontece com as grandes potencias.

Passei a tarde na cozinha. Fiz um bolo, um assado e arroz doce. Tirei agora este instante para mim. Preciso de ir tomar banho, lavar o cabelo e secar. O dia de amanhã e os que se seguem avizinham-se duros. Muito duros. Ser Técnico de Contabilidade e Recursos Humanos tem sido a mais desafiante profissão por estes dias, respondendo a questões para as quais não há respostas. E as pessoas querem tudo. Querem solução para um problema que é novo para todos. Com a agravante de tomar conta da Inês em simultâneo. Enquanto tento trabalhar e distraí-la o melhor que posso, sem o peso de lhe dar o Ipad para que fique sossegada por alguns instantes. 

Espero ansiosamente por melhores dias. Sei que tardarão em chegar. Que esta miséria de sofrimento, dor, doença e morte veio para ficar. Não acredito que os números em Portugal sejam os que têm divulgado. Se não nos continuarmos a manter em casa e sair mesmo só em caso extremo não sei onde iremos parar... 

Citando a música dos Ornatos Violeta - Ouvi Dizer... Eu tinha tantos planos pra depois... 
Que tudo fique bem! Para todos! É o meu desejo!

sábado, 28 de março de 2020

Coronavírus # COVID-19

O mundo mudou. A vida de todos nós deu uma volta imensa... Sem data à vista para que o fim se vislumbre. A morte espreita em cada esquina. Os números são assustadores, somam-se todos os dias, em todos os países. O que será de nós? O que será dos nossos filhos? Que mundo é este em que o ser humano transforma a vida de todos sem pedir licença?
Acredito não ser a única, mas tenho vivido amedrontada, sem sair. Em 15 dias, saí por 3 bocados estritamente necessários! Nem às compras vou. Não me custa estar em casa, adoro, até. Na "outra vida", a que saía de manhã, deixava a menina no Colégio e ia trabalhar, passava todo o dia fora e por isso não me custa estar em casa. Custa-me é o sofrimento. O sofrimento de estar longe dos meus, de pensar que numa saída estritamente necessária me posso infectar e contagiar os que comigo vivem. 


Tento pensar em sentimentos bonitos como o Amor, nas pessoas que Amo e serenar esta alma inquieta com tudo o que está a viver. 
Desde que ouvi esta música que não me canso de ouvir de novo e outra vez, na tentativa de encaixar este alento.
Quero acreditar com todo o meu coração que... Vai ficar tudo bem!

https://www.youtube.com/watch?v=hSH_4xnE76k

Cristóvam - Andrà Tutto Bene (Português)

sábado, 8 de fevereiro de 2020

Resumo dos últimos tempos #2019 #2020


Pois é, das poucas resoluções de Ano Novo que fiz para 2020, uma delas era escrever com mais frequência. Primeiro é algo que me faz feliz e esse é o principal motivo pelo qual foi uma resolução. Também é verdade que sou engolida pelo pouco tempo que sobra dos dias em que me levanto de madrugada, levo a menina para o Colégio, vou trabalhar e depois ao final do dia tudo se repete novamente em sentido contrário.
Tenho escrito num caderno, muito menos do que gostaria. Consegui escrever um pouco todos os dias na primeira quinzena de Janeiro, mas depois de todos adoecermos, tornou-se impossível. Este inicio de ano (começou ainda no final do outro) já me trouxe a toma de dois antibióticos, eu, franzina, mas que raramente adoeço, tive duas crises de sinusite que achei que me iam deitar à cama. Acabou por não acontecer porque sou rija como o aço, mas foi difícil. Depois a Maria Inês começou em Novembro passado o Colégio, também já leva com dois no bucho... Como diz o Pediatra, os primeiros 4 meses são de adaptação e tudo pode acontecer...
Com o segundo antibiótico que tomei (o dos 3 dias - alta bomba), tive de deixar de lhe dar maminha. Confesso que sentia que estava na altura e sinceramente ela colaborou bastante, está a ficar muito crescida a minha bomboquinha. Ainda me pediu e choramingou duas ou três vezes mas depois passou.
Já bebe leitinho no copo há algum tempo e aceitou muito bem.
Esta semana fez o seu primeiro cocó no bacio e fizemos uma festa tão grande! Minha rica menina!!!!

A nível profissional, continuo na minha luta por um futuro melhor. Jamais me resignarei a uma má condição. Estou nela, é verdade, ainda assim não deixarei de arregaçar mangas e lutar.

Espero ter oportunidade de aqui vir mais vezes ao longo deste 2020.
E que bem me fez vir aqui escrever estas linhas.

domingo, 7 de julho de 2019

Quase com 18 meses...

A minha bomboquinha dorme serenamente na sua cama, depois de estar a pé desde as 6h da manhã.
Daqui a 3 dias completa 18 meses. O que tem de bruta, tem de meiga. Não gosta de dormir. Adora dançar, correr tudo, não parar. Detesta parar. Adora música e crianças. Pouco ou nada liga a desenhos animados. Reconhece a Minnie como ninguém e com todo o Amor do mundo lhe chama "Nã". Diz  Olá (a sua primeira palavra e a que usa para nos cativar quando lhe ralhamos...) mã, pá, já tá. Dá beijinhos bons (quando quer - eu devo ser a quem dá menos...) e abracinhos apertados deliciosos.
Tem 6 dentes, o primeiro (de baixo) só veio depois do ano, o outro ao lado, foi quase a seguir e os quatro de cima vieram juntos, de mãos dadas. Quase todos na mesma altura. Agora já se vislumbram outros companheiros em baixo, que vêm todos em catadupa.
É o Amor no seu estado mais puro, mas também leva à exaustão nalgumas alturas. É sem dúvida o maior desafio desta vida. Dar vida e educação e acompanhar um bebé a crescer, exige uma entrega e uma lucidez parvas.
As noites sem dormir levam-me ao desespero. Ainda amamento com todo o gosto e prazer. Não tenho qualquer pressa que ela deixe de querer a maminha. Não gosta de leite do pacote. E eu também não insisto.
Adora comer. Há pouca coisa que não gosta e é uma gulosa de primeira.
Por vezes ainda me custa acreditar que tenho esta menina tão boa. Digo-lhe muitas vezes que é a minha Delícia e veio da minha barriga. Ela sorri e gargalha com parvoíces que lhe faço e o meu mundo fica completo. 
Sem dúvida que o que mais me custa são as noites mal dormidas. O ter de estar bem para ir trabalhar, tratar das coisas de casa. Na maior parte do dias caio para o lado sem dar conta. Outras noites (raras) tenho insónia e andamos nisto. Nas noites que ela dorme seguidas, eu acordo porque já não sei viver de outro modo. Ninguém disse que era fácil e a verdade é que vale muito a pena. Só a quero feliz. Poder ver aqueles olhinhos a sorrir e aqueles dentinhos lindos a ser danada e sacaninha é tudo o que eu peço. Que a vida me permita ter saúde para a ver crescer feliz. E ajudar a crescer. Num colo que estará sempre aqui. 
Não me canso de agradecer. Todos os dias a dádiva que é ter dado à luz esta menina cheia de saúde e genica, como ela tem...
Como eu te amo, meu amor mais bom. 

quinta-feira, 18 de abril de 2019

Páscoa 2019


É tempo de família, de reflexão, de estar, de ser, simplesmente.
Nestes dias, a viver umas férias tranquilas na montanha, tenho-me dado a esse luxo que é o descanso. Com uma bebé de 15 meses que não está sossegada, que não tem dormido as noites todas, tem sido exigente. Mas uma exigência muito boa. Esta menina é qualquer coisa de especial. Este sorriso, estas mãozinhas que me chamam com gestos, os beijinhos repenicados que dá.
É, sem qualquer sombra de dúvida, o melhor do mundo. Do meu mundo. Por vezes ainda é difícil de acreditar que chegou às nossas vidas, mas completa-nos de um modo único. Está muito inteligente e com uma capacidade de entendimento enorme. Adora estar com os primos e estes dias têm sido bem para desfrutar deles.
Cada vez mais, reunir em família, partilhar tempo de qualidade com os mais novos, para compensar os dias de correria quando se está a trabalhar e se chega a casa sempre com o piloto automático ligado. Ninguém disse que seria fácil, mas as coisas boas são trabalhosas, se assim não fosse não teriam o gosto especial que têm.
Feliz Páscoa. Feliz tempo de Amor partilhado. Dias Felizes de Partilha.

domingo, 15 de julho de 2018

O que não se diz da Maternidade

As hormonas realmente andam à flor da pele.
Nunca me lembro de chorar tanto e por nada, sem hora. Não tenho problema nenhum em admitir que os primeiros tempos com a minha filha nos braços, foram muito difíceis.
Fisicamente estava de rastos. Mal me consegui sentar por quase dois meses. Não sei se foi da força, se do corte que levei, sei que o simples acto de me sentar era um suplício. Não falando que nas primeiras semanas andar, só mesmo como uma pata choca a quem deram uns pontos a mais no rabo...
Neste momento consigo brincar com alguns momentos que vivi, mas naquela altura nem tinha essa capacidade.
O Inverno não ajudou muito. Chuva e frio quanto baste. Dias a fio fechada em casa não ajuda nada a uma recuperação pós-parto. Emocionalmente estava como nunca me senti. Não era eu. E sentia uma culpa enorme. Porque o que eu mais queria era ser mãe, tinha a minha filha nos braços, linda, perfeita e de saúde e o meu estado era tudo menos alegre. Parece uma contradição mas era o que sentia. Hoje, com esta margem de tempo, sei que tudo isso era fruto do parto e das hormonas. Feliz de quem não tenha estes sintomas e consiga estar em êxtase a viver esta fase.
A amamentação. Neste campo até nem tenho muito a apontar. A minha filha mama e sempre mamou muito bem. Mas a verdade é que as mamas ficam muito sensíveis. Lembro-me, nos dias que tive internada, andava com a camisa de dormir aberta pelos corredores. Sem vergonha. Mas qual vergonha? Depois de ter não sei quantos médicos a meter a mão para ver se a miúda estava a caminho da saída, que mal tem umas mamitas de fora? A complicação que tive associada à amamentação foram os durões numa mama. É horrível. Mas felizmente consegui resolver em casa, sem intervenção médica. Com muitas massagens, água quente e depois ervilhas congeladas e uns benurons.
O peso. Ora isso para mim acabou por não ser um problema. Ganhar peso é que está a custar mais. Quando engravidei pesava 60kgs. A última vez que me pesei antes de ir para o hospital pesava 73. Quando regressei a casa já pesava uns 57. E foi sempre a descer. Neste momento peso uns 52, bem arredondados. Não estava tão magra há muitos anos. Nem as cuecas me servem. Tudo me escorrega...
O cabelo. Pois, esse é um dos meus maiores problemas. Estou com imensa queda. E como continuo a amamentar, nada posso fazer. Nunca mais o estiquei. Tento tocar-lhe o menos possível na esperança de o conservar ao máximo...
Resta-me dizer que apesar das dificuldades não há nada melhor do que olhar para esta menina e ver o seu sorriso. Mesmo quando acorda de noite e eu levanto-me para lhe dar mama, volto a deitá-la e depois fico a pensar que ainda a tenho no colo... o cansaço é muito em alguns momentos, mas o Amor por este bebé supera tudo. 

sábado, 14 de julho de 2018

Posts em atraso #1

Pois é, há muito que sinto vontade de voltar a escrever mas cuidar de um bebé é tão absorvente que não deixa muito tempo para tudo o resto...
A minha filha já tem 6 meses. Já come sopa, fruta e papa. Mas a verdade é que a refeição preferida continua a ser a mama. Quem lhe tira o leitinho, tira-lhe tudo.
E eu?! Bem, eu estou um esqueleto com pouco mais de 50 kg. 
Espero conseguir voltar às lides da escrita. Aos poucos há que encaixar os hábitos antigos nesta nova vida. Muito mais exigente, mas com um sabor muito mais delicioso.
A propósito, a minha bomboca é linda, linda, linda. 

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

41 semanas e 1 dia - 10.01.2018

Será sempre uma data inesquecível para nós. 
O dia em que a nossa filha chegou ao mundo. Depois de um internamento pela manhã no dia anterior, depois de tanta hora de espera, de tanta dor, tanta respiração para atenuar as contracções que chegaram a ser de 3 em 3 minutos, sem a dilatação ser mais de dois dedos de meio, até 15 minutos antes dela nascer... Muito há que contar sobre o nascimento desta minha menina, post que ficará para outro dia. Não quero deixar de salientar a magnífica equipa médica que me acompanhou em todo aquele tempo. Quatro dias de internamento foi o meu record. 
Consola-me o facto dela ser perfeita e saudável, estar a crescer bem com o meu leitinho.
Claro que chora muito, tem cólicas e muita manha. Eu, derretida como tudo, não a consigo ouvir chorar muito tempo, vou em seu socorro e quando a crise é muita, dou-lhe colo. Faço o meu melhor para lhe proporcionar o máximo conforto. O segredo é apenas ter a máxima paciência e levar cada momento como único. Só assim se consegue atenuar a culpa. Sim, o peso da questão de fazer tudo bem ganha uma dimensão imensa.
O Amor é realmente o sentimento mais importante do mundo e neste caso concreto não há palavras para descrever a imensidão do que guardo no peito por esta menina.
Só quero que estejamos juntas para sempre e que ela seja sempre muito feliz.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

5 de 365 - 2018

40 semanas e 3 dias. Não me espanta que a minha filha não queira nascer, porque quem sai aos seus... já diz o ditado.
Por aqui continuamos em modo espera e o limite é o próximo dia 9 Janeiro, caso não haja qualquer alteração até lá, damos entrada no hospital e ela será convidada a sair.
Nos dias de hoje não esperam até às 43 semanas como a minha mãe teve de esperar por mim, porque deviam contar-se pelos dedos os partos que eram provocados. Era a natureza a realizar o seu trabalho e pronto.
Mas está tudo bem, o peso é imenso (estou 13 quilogramas mais pesada) e a diferença que isso faz?! Mas também acredito que acontece pelo facto de estar todo concentrado numa só zona... continuamos em modo “Zé sempre em pé”, mas muito felizes.